Por UOL
Diretora e uma das fundadoras do Instituto Tornavoz, a advogada Taís Gasparian recebeu hoje de manhã o Prêmio ANJ (Associação Nacional de Jornais) de Liberdade de Imprensa pela defesa a jornalistas independentes em processos judiciais como forma de ameaça ao trabalho jornalístico.
A cerimônia ocorreu no auditório da ESPM Tech na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.
Gasparian recebeu a premiação ao lado das também advogadas Mônica Galvão, Charlene Nagae, Clarissa Gross e Laura Tkacz, que fazem parte do instituto.
A advogada reforçou a importância da assistência jurídica gratuita a veículos de comunicação e a jornalistas sem estrutura para contar com esse tipo de recurso em ações judiciais com o objetivo apenas de limitar a liberdade de imprensa.
“Historicamente, o Brasil conheceu a censura antes de conhecer a imprensa. Nós entendemos muito mais de mordaça do que de liberdade. O Tornavoz foi fundado nesse cenário politicamente sombrio e preocupante com o objetivo de atuar no fortalecimento do ecossistema da liberdade de expressão”, disse a advogada.
Ela citou ainda a experiência dessa assistência a veículos de comunicação ou jornalistas independentes que fazem a cobertura jornalística de assuntos ligados às minorias.
Devemos protegê-los para que continuem a exercer um papel de destaque na democracia. Temos tido contato com editorias que abordam questão de gênero, de raça, de meio ambiente. São estruturas pequenas e que fazem trabalhos maravilhosos. É necessário que seja garantido a eles o espaço de manifestação de temas historicamente marginalizados.”
Ela também falou sobre a desinformação em meio ao período eleitoral.
“Assistimos ao silenciamento como estratégia de combate político. Assistimos a verdadeiras batalhas de narrativas políticas travadas no Poder Judiciário pela reivindicação da limitação da liberdade de imprensa. A desinformação, por outro lado, povoou o receio em torno das eleições, a ponto de a Justiça eleitoral ter sido alçada à centralidade do debate político.”
Após a premiação, ela participou do painel “Liberdade de Imprensa: onde estamos e para onde vamos”. O debate contou com a participação de Patrícia Campos Mello (repórter especial e colunista da Folha de S.Paulo), Marcelo Godoy (repórter especial e colunista de O Estado de S.Paulo) e Renato Andrade (diretor da sucursal de O Globo em São Paulo).
“Fazer jornalismo investigativo é muito difícil. Você fazer uma matéria tendo que pensar se vai sofrer um assédio judicial sem ter como se defender…O Tornavoz nesse sentido é essencial para milhares de jornalistas que talvez não estejam fazendo um trabalho como gostariam de fazer por medo de tomar um processo”, observou Patrícia Campos Mello. “Vivemos a censura pelo barulho, que é essa avalanche pela desinformação e pela distorção. As pessoas não sabem o que é a verdade, e vivem em universos paralelos.”
Foto: André Porto/UOL
